Sombras interiores -- Érebus



Quando olhamos profundamente para dentro de nosso próprio interior, com verdadeira sinceridade, à primeira vista o que encontramos será nossa razão, ou seja, são nossos pensamentos, sentimentos e emoções mais superficiais, mas se continuarmos olhando além de nossa razão veremos algo que certamente nos amedrontará; veremos sombras obscuras, densas, profundas, antigas e extremamente fortes; escondidas nos recantos mais distantes de nosso interior, sombras pulsantes, vivas e hediondas; e esta visão nos amedronta tanto que a maioria das pessoas passa pela vida evitando encarar suas sombras internas, fingindo que elas não estão lá; mentimos para nós mesmos dizendo que o mal é uma fantasia e que a escuridão não existe; até então nosso maior medo é olhar para o abismo dentro de nós e perceber que ele já está olhando para nós. O fato é que são estas sombras que aprisionam os corações, mentes e vida das pessoas, mas como as mesmas não admitem sua existência, tais sombras continuam lá pulsando, olhando através de seus olhos, falando através de seus lábios, sussurrando pensamentos, sentimentos e emoções obscuras e destrutivas; se alimentando das vidas das pessoas, disparando todo tipo de desejos sem controle e impulsos animais. A grande verdade é que seres humanos não são essencialmente bons, muito pelo contrário; o mal é a nossa natureza; e é justamente por tudo isso que precisamos desesperadamente de salvação.



Todas as vezes que deixamos nossa mente sem supervisão, essas sombras tentarão vir para a superfície tomar o controle; como já foi dito por Goya: "Quando a razão adormece os monstros acordam".

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